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Cooperação e preparação são essenciais na gestão das complicações da endoscopia do terceiro espaço
segunda-feira, 01 junho 2026 16:11

Cooperação e preparação são essenciais na gestão das complicações da endoscopia do terceiro espaço

A endoscopia do terceiro espaço tem vindo a afirmar-se como uma técnica inovadora na abordagem de várias patologias digestivas, mas exige conhecimento específico para prevenir e gerir potenciais complicações. Durante a sessão “Como lidar com as complicações da endoscopia do terceiro espaço”, integrada na Semana Digestiva 2026, Elisa Gravito Soares, da ULS de Coimbra, explicou que esta abordagem se distingue por atuar ao nível intramural. “É uma nova endoscopia, uma endoscopia que não é luminal nem extraluminal; estamos a trabalhar intramuralmente”, referiu. Assista ao depoimento da especialista na íntegra.

Segundo a especialista, as complicações estão sobretudo associadas aos procedimentos de miotomia, que implicam contacto direto com estruturas anatómicas adjacentes. No entanto, a introdução da insuflação com dióxido de carbono (CO₂) contribuiu significativamente para a sua redução. “O shift para CO₂ foi fundamental para reduzir essas complicações”, destacou, acrescentando que a incidência de eventos adversos relevantes é atualmente inferior ao inicialmente estimado, situando-se em valores que podem atingir cerca de 12%, quando considerados apenas os casos que exigem intervenção clínica.

A cooperação multidisciplinar assume um papel central na segurança destes procedimentos. Elisa Gravito Soares salientou a importância da articulação entre endoscopistas e anestesiologistas durante a intervenção, especialmente na gestão da ventilação mecânica e da insuflação de CO₂. “Estamos a lidar com uma cirurgia fechada e a única forma de extrair esse CO₂ é através da exalação do doente”, explicou. Quando necessário, a descompressão peritoneal pode ser utilizada como medida eficaz para resolver a maioria das situações associadas à acumulação de gás.

Relativamente à abordagem das complicações, a especialista defendeu uma atuação estruturada e ponderada. “A primeira coisa é manter a calma”, afirmou, recomendando ainda o apoio de colegas mais experientes sempre que necessário. A avaliação da estabilidade ventilatória e hemodinâmica do doente deve ser prioritária, seguindo-se a definição da melhor estratégia terapêutica para cada situação, seja o encerramento de lesões da mucosa ou o controlo de hemorragias. Para Elisa Gravito Soares, a antecipação dos riscos e a adoção de medidas preventivas continuam a ser determinantes para o sucesso destes procedimentos.

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