A hospitalização domiciliária tem potencial para ser mais utilizada no acompanhamento de doentes com patologia hepática e gastrointestinal, defendeu José Presa, especialista em Medicina Interna do Hospital da Luz Vila Real, durante a sua intervenção na sessão “Hospitalização domiciliária na patologia digestiva”, que fez parte do programa da Semana Digestiva 2026. Assista à entrevista.
Segundo o especialista, existem várias situações clínicas em que esta modalidade assistencial pode trazer vantagens, nomeadamente em doentes com doença hepática crónica descompensada que necessitam de terapêuticas regulares ou de vigilância após procedimentos específicos.
“Percebemos nitidamente que há doentes, nomeadamente na área da doença hepática crónica descompensada, que podem beneficiar da hospitalização domiciliária”, afirmou. O especialista apontou ainda exemplos como os cuidados paliativos e o acompanhamento de doentes após intervenções de radiologia de intervenção, permitindo que estes regressem mais cedo ao domicílio sem perderem o suporte clínico necessário.
José Presa destacou também o potencial desta abordagem noutras áreas da Gastrenterologia, como a doença inflamatória intestinal, bem como em situações que exigem tratamentos prolongados. “Mesmo sendo um doente com uma doença hepática crónica avançada, descompensada, pode beneficiar perfeitamente de terminar um ciclo de antibioterapia em sua casa com o suporte da hospitalização domiciliária”, exemplificou.
Para os doentes, as vantagens são evidentes. “É excelente porque é tratado em sua casa, junto da sua família e do seu conforto, e isso para mim é o principal”, referiu. O internista fez questão de sublinhar que a qualidade e a segurança dos cuidados não são comprometidas, uma vez que os doentes mantêm acompanhamento clínico e, quando necessário, sistemas de telemonitorização. “O doente tem exatamente os mesmos cuidados. Se tiver de ficar monitorizado, fica monitorizado”, garantiu.
Apesar dos benefícios já reconhecidos, José Presa considera que a principal barreira à expansão desta resposta continua a ser a sua subutilização pelos próprios profissionais de saúde. “A grande barreira é lembrarmo-nos que a hospitalização domiciliária existe e que aquele doente pode beneficiar dela”, afirmou. Na sua perspetiva, esta modalidade deve ser encarada como um recurso transversal ao hospital, acessível a diferentes especialidades, desde que os doentes cumpram os critérios definidos para referenciação.
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