A doença celíaca continua a representar um desafio importante em termos de diagnóstico e acompanhamento, alertou Auréo de Almeida Delgado, presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia, durante a sua participação na Semana Digestiva 2026, no âmbito de uma conferência dedicada à doença celíaca no Brasil e ao papel da Federação Brasileira de Gastroenterologia. Assista à entrevista completa.
Apesar de afetar cerca de 1% da população mundial, a patologia permanece amplamente subdiagnosticada. “Estimamos que existam no Brasil entre 2 e 2,5 milhões de pessoas com doença celíaca e 80% delas não têm o diagnóstico”, refere o especialista, sublinhando a necessidade de identificar precocemente estes doentes para prevenir complicações a curto, médio e longo prazo.
Para Auréo de Almeida Delgado, um dos principais obstáculos passa pela falta de conhecimento sobre a doença, tanto junto da população como dos próprios profissionais de saúde. “Precisamos passar a mensagem de que esta doença não é rara. Ela afeta 1% da população”, destacou. Além disso, defendeu a importância de garantir o acesso aos exames necessários para o diagnóstico e de facilitar o acesso a uma dieta isenta de glúten, atualmente a única abordagem terapêutica eficaz, sobretudo para os doentes com menos recursos económicos.
O responsável valorizou ainda a presença na Semana Digestiva e a colaboração contínua entre as comunidades científicas portuguesa e brasileira. “É uma parceria antiga. Nós vimos aqui e convidamos também a Sociedade Portuguesa para ir ao Brasil, para que possamos trocar informações e ajudar-nos mutuamente”, afirmou. Destacando o papel da cooperação internacional na melhoria dos cuidados de saúde, concluiu que “o conhecimento é o que transforma e isso tudo leva ao cuidado; quem ganha são os doentes”.
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