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Medicina personalizada acelera mudança de paradigma nos tumores digestivos
sexta-feira, 22 maio 2026 12:23

Medicina personalizada acelera mudança de paradigma nos tumores digestivos

Os avanços mais recentes em oncologia digestiva estiveram em destaque na sessão “Avanços no tratamento sistémico e aplicabilidade da Medicina Personalizada em 2026”, na Semana Digestiva, onde Nuno Couto salientou a evolução das terapêuticas dirigidas, desde os inibidores RAS no cancro do pâncreas com impacto na sobrevivência e progressão para fases avançadas e aprovações precoces, até à identificação de alvos terapêuticos já aplicáveis em 30 a 40% dos colangiocarcinomas e cada vez mais frequentes no cancro gástrico. Assista ao depoimento do especialista.

 

O especialista sublinhou que esta evolução está a alterar profundamente a prática clínica. A medicina personalizada passou a permitir decisões mais precisas, orientadas por alterações moleculares específicas. Este avanço traduz-se em ganhos de sobrevivência e numa seleção mais eficaz dos doentes.

No entanto, reforçou que não existe uma única ferramenta capaz de identificar todos os alvos. “Não há uma ferramenta ainda que faça tudo”, referiu, destacando a necessidade de combinar NGS para DNA tumoral, imuno-histoquímica e NGS de RNA. Cada método tem o seu papel na identificação dos diferentes tipos de alterações.

Outro ponto central é a organização em rede. Segundo Nuno Couto, é essencial estruturar circuitos que permitam encaminhar corretamente as amostras para estudo molecular. E, depois, garantir acesso aos fármacos aprovados ou a ensaios clínicos, seja em Portugal ou no estrangeiro.

O especialista alertou ainda para o impacto clínico desta estratégia em doentes mais jovens. “Se nós não procurarmos, não encontramos”, afirmou. A maioria dos ensaios clínicos atuais é dirigida a subgrupos com targets específicos, tornando a identificação molecular determinante para o acesso à inovação terapêutica.

A Semana Digestiva 2026 decorre entre os dias 20 a 22 em Fátima.

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