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Opções terapêuticas no carcinoma hepatocelular avançado
sábado, 21 novembro 2020 14:46

Opções terapêuticas no carcinoma hepatocelular avançado

A sessão “Hepatocarcinoma medical therapy”, patrocinada pela Bayer, decorreu a 20 de novembro no âmbito da Semana Digestiva Digital 2020 e contou com a presença do Prof. Doutor Josep Llovet, professor da Mount Sinai School of Medicine de Nova Iorque e da Universidade de Barcelona. Numa palestra moderada pelo Prof. Doutor José Velosa, professor jubilado da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, o especialista abordou o tratamento do carcinoma hepatocelular avançado, destacando os inibidores multiquinase sorafenib e regorafenib, desenvolvidos pela Bayer.

À escala global, o cancro do fígado é o sexto tipo de cancro mais frequente e a terceira causa de morte por cancro (GLOBOCAN 2018), sendo o carcinoma hepatocelular o principal tipo de cancro do fígado. “O tratamento da doença avançada assenta sobretudo na terapêutica sistémica”, explicou o Prof. Doutor Josep Llovet, antes de apresentar o ensaio clínico SHARP (Llovet et al., N Engl J Med 2008), que esteve na origem da aprovação de sorafenib como primeiro tratamento sistémico para o carcinoma hepatocelular avançado. Este estudo, que comparou sorafenib vs placebo em doentes com carcinoma hepatocelular avançado, demonstrou a superioridade de sorafenib, com uma mediana de sobrevivência global (mOS) de 10,7 vs 7,9 meses (HR = 0,69; p <  0,001). “Considerando que durante mais de 10 anos sorafenib foi a única opção terapêutica na doença avançada, em todo o mundo mais de 100 mil indivíduos por ano receberam este tratamento, o que equivale a ganhos anuais de sobrevivência superiores a 30 mil anos”, comentou o professor. Adicionalmente, uma meta-análise que incluiu os estudos SHARP e Asia-Pacific (AP) (Cheng et al., Eur J Cancer 2012) identificou a ausência de envolvimento extra-hepático, a infeção pelo vírus da hepatite C e o ratio de linfócitos-neutrófilos diminuído como fatores preditores de um benefício de OS superior com sorafenib (Bruix et al., J Hepatol 2017). Por outro lado, o estudo GIDEON (Marrero et al., J Hepatol 2016) evidenciou a melhor eficácia de sorafenib em doentes com classificação de Child-Pugh A comparativamente com Child-Pugh B ou C (mOS = 13,6 vs 5,2 vs 2,6 meses).

“Regorafenib foi o primeiro fármaco com evidência de eficácia no tratamento em segunda linha do carcinoma hepatocelular avançado”, prosseguiu o especialista. De facto, o estudo RESORCE (Bruix et al., Lancet 2017) demonstrou a superioridade de regorafenib vs placebo em doentes com carcinoma hepatocelular avançado em progressão após tratamento com sorafenib (mOS = 10,6 vs 7,8 meses; HR = 0,63; p < 0,0001). A vantagem de regorafenib foi observada em todos os subgrupos de doentes analisados. Um outro estudo mostrou ainda que a terapêutica sequencial com sorafenib e regorafenib resultou numa mOS de 26,0 vs 19,2 meses para sorafenib seguido de placebo (Finn et al., J Hepatol 2018). O palestrante referiu também que estão a decorrer ensaios clínicos para avaliar a eficácia e a segurança da combinação de regorafenib com imunoterapia (estudos REGOMUNE e NCT03347292).

Embora a terapêutica sequencial com sorafenib e regorafenib se mantenha uma opção terapêutica atual, têm surgido, nos últimos anos, outros fármacos eficazes no tratamento do carcinoma hepatocelular avançado. Assim, no final da sua intervenção, o Prof. Doutor Josep Llovet resumiu o paradigma atual de tratamento da doença avançada, o qual prevê a utilização da combinação de atezolizumab e bevacizumab em primeira linha e, após progressão, sorafenib seguido de regorafenib, entre outras combinações (Llovet et al., Hepatology 2020).

Imagem: Jordi Play, Mètode